Foi
assim que nasceu o 9 vidas.
Hoje passado 1 ano as coisas pouco mudaram, as razões que me levavam a escrevinhar em cadernos comprados para o efeito, em agendas que guardo religiosamente e nas quais escrevo diariamente o que faço, o que penso, o que planeio, ou até em “post-it” na falta de papel maior à mão, são as mesmas pelas quais escrevo hoje nos cadernos, nas agendas e no blog.
Escrevo sempre o que penso, sou o que escrevo, da mesma forma que sou o que digo e o que faço, sem rodeios, muitas vezes com o coração nas mãos e sempre, sempre de peito aberto, demasiado verdadeira dizem uns, violentamente sincera dizem outros, mas quem me conhece sabe bem com o que contar de mim.
Continuo a ter as mesmas nove vidas que tinha há 1 ano atrás, mas com maior serenidade e certamente com mais maturidade. Nos dias de hoje sinto-me bem, por vezes uma mini super heroína, à minha escala, e do alto dos meus já 35 anos – é verdade que poderia ter menos 10 kilos e seria
BOA, mas nunca fui aspirante a top model; poderia ter menos rugas e seria
LINDA, mas sendo que as minhas rugas são de expressão isso significaria que sorria pouco e gargalhava ainda menos, e eu adoro rir! – Sinto-me “para as curvas”.
Por vezes sinto-me tipo “mulher de elástico” ou “medusa” – os meus dois bracinhos chegam a todo o lado, aos banhos do meu filho, aos passeios da minha cadela, aos carinhos do meu amor, às compras da minha mãe, à atenção do meu avô, aos compromissos profissionais, à entrega ao serviço cívico, às saídas com os amigos, aos momentos que são apenas meus.
Continuo a ser a
mãe do Xani, a prepará-lo para a vida, a dar-lhe os valores que acho correctos, a dar-lhe o amor que ele precisa para ser feliz, e a firmeza que entendo necessária para ele se tornar num adulto responsável; continuo a ser
filha da mãe que me leva a passear fim-de-semana fora com programas culturais interessantes e a quem nunca me canso de agradecer pela mulher que hoje sou; a ser
esposa sempre em busca de um melhor entendimento e de uma maior harmonia, limando as arestas que vão surgindo na aprendizagem de uma vida em comum;
dona da Puska e da sua enorme vontade de agradar na busca incessante de um carinho impossível de lhe negar;
amiga de quantos comigo se cruzaram nesta vida virtual e na outra – amizades que estão prestes a completar 20 anos, outras mais recentes, mas sempre sinceras e abnegadas;
profissional apesar das muitas contrariedades que já tive de ultrapassar nos últimos 3 anos, e que consegui finalmente ver atenuadas com uma carga de trabalho razoável para quem esteve dias e meses “encostada” sem fazer absolutamente nada; e fundamentalmente
mulher, porque nunca considerei a hipótese da mudança de sexo, por mais trabalhoso que seja ter as unhas impecáveis, os pêlos tirados, o rosto maquilhado, ou o incómodo das dores menstruais. Ser mulher é para mim fabuloso, porque consigo ao mesmo tempo simples e complexa; prática e contraditória; sensível e forte, um turbilhão de emoções à flor da pele que tento compartilhar neste espaço.
A virtude do 9 vidas foi o abraçar de novas amizades, o passar da obscuridade dos papéis à visibilidade das vias rápidas da informação, assim sendo cheguei a
Amesterdão, a
Sines, ao
Porto, a
Coimbra, a
Loures, a
Cascais, a
Lisboa, onde encontrei pessoas desconhecidas que para mim abriram os braços e a alma, outras conhecidas que me ficaram a conhecer o dia a dia, os pensamentos, os sentimentos.
Hoje termina um ciclo, um novo mundo de possibilidades se estende á minha frente, basta estender a mão e agarrá-las!