quinta-feira, 14 de maio de 2009

Orgulho, pecado bom

Nos dias em que me sinto mais em baixo faço um exercício simples, penso em tudo o que já fiz e de que me orgulho, assim sei que valho mais do que aparento e que esta minha fragilidade se transforma em força sempre que preciso dela.
Gosto de me recordar da minha explicadora de matemática do 9º ano, de como ela me fez ganhar forças para enveredar pela área ciências ao dizer-me que de facto eu não tinha “queda” para os números e que devia escolher as línguas onde tinha realmente muita facilidade. Nunca o fiz, mas creio que me daria particular gozo dizer-lhe que conclui uma licenciatura em Economia sem ter nunca necessitado de uma explicadora, nem sequer a cálculo.
Consigo visualizar a cara da colega que no 12º ano me disse que sentia por mim uma profunda admiração porque me sabia determinada em cumprir os objectivos a que me propunha, mas não consigo pronunciar o seu nome, há tanto tempo já esquecido entre os resíduos que ficaram na memória.
É com carinho que recordo o fisioterapeuta que adiou por tempo indeterminado a sua reforma depois de ter iniciado comigo um tratamento que durou cerca de 1 ano. No dia em que deu por terminado o seu trabalho de recuperação disse-me que quando me olhou pela primeira vez pensou que eu não fosse voltar a andar a 100%, hoje embora tenha diagnosticada uma incapacidade de 20% entre pernas e braços, quem me vê passar na rua não imagina o que me esforcei para voltar a ser “normal”.
Tive sempre que lutar para ter o que queria, nunca virei costas a um bom desafio, acho até que são estes que me impelem a continuar, orgulho-me de ter começado de raiz sem ajuda de ninguém e sem nunca ter tido sequer contacto anterior com a função um departamento financeiro, incipiente é um facto, mas ainda assim a base o que hoje é feito na empresa.
No dia em que conheci o meu marido, olhei-o sentado na mesa do café e pensei que se tivesse alguém como ele do meu lado seria fácil de assentar.
Chorei no último filme que vi do Brad Pitt – “O Estranho Caso de Benjamin Button” – por causa de uma frase que dizia algo como - vive uma vida da qual te orgulhes, e chorei porque achava na altura que nada havia de que me orgulhar.
Mas estava enganada, há muito para me orgulhar do que sou, do que faço, de quem realmente vive dentro deste meu corpo.

16 comentários:

TM disse...

E quem disse que era preciso grandes gestos para nos orgulharmos?
Quando vivemos a nossa vida já é motivo de orgulho...

Cem disse...

Há isso tudo

e muito mais!!

:)

Cris... disse...

Mas é claro que tens que te orgulhar!
Tu pareces-me ser uma mulher com M grande, miúda.

Gata2000 disse...

TM - Quando vivemos a nossa vida, honestamente!

:)

Gata2000 disse...

Cem - Eu disse te que ia fazer um post sobre isto.

Gata2000 disse...

Cris - Muchas gracias guapa!

Vitor disse...

Tu tens uma pessoa a viver dentro do teu corpo!?

Pronto...
Lá tinhas tu de fazê-lo de novo!

PAULO LONTRO disse...

Gata, acho muito interessante teres escrito este texto, não o facto de sentires orgulho mas sim o facto de o teres dito abertamente.

O orgulho não é um pecado nem um defeito é mesmo o que temos para nos levar em frente.
Gostei e podes acreditar que sei de que falas…

Pax disse...

Muito bonito.
Muito bonito reconhecermos a importância de, ao olharmos para trás, nos orgulharmos.
Acredito que isso nos torne pessoas melhores, pois continuaremos pelo futuro a tentarmos coleccionar esses feitos.

Beijo

Gata2000 disse...

Vitor - Pode parecer assustador, mas tenho muiiiiitas pessoas a viver dentro do meu corpo. Tu conheces algumas!

Gata2000 disse...

Paulo - Gosto de ser compreendida!

Gata2000 disse...

Pax - Ás vezes basta apenas isso, olhar para trás e ver as coisas boas que fizemos, para sabermos que o futuro que nos espera é bem mais colorido do que imaginamos.

Afrodite disse...

És um Mulherão! Parabéns!

Abreijinhos

Gata2000 disse...

Afrodite - Mas num invólucro de menina.
Obrigada

Cristiana disse...

Gata,
Assim é que é, MAINADA!

Quem quer, quem corre por e com gosto nem que se desdobre um mil!!

Chega lá!

Gata2000 disse...

Cristiana - Tu é que sabes! :)