segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Crónicas dos Mal Amados - Junho 1999

Há pessoas que pela sua paixão ou desapego nos rasgam a alma e despedaçam o coração, que nos roubam a capacidade de sonhar e nos despojam do nosso amor-próprio, manipulando-nos a seu belo prazer, transformando-se numa relação perigosa.
Outras há que nos tranquilizam e nos ajudam a encontrar o caminho para a paz interior conseguindo assim através do seu amor e carinho sarar as feridas e levantar do chão os cacos.
Inicío hoje uma série de crónicas que tendem a explorar as relações humanas em todas as suas vertentes, de vez em quando será publicada uma crónica, umas em tom de provocação, outras exorcizando velhos medos e outras até agradecendo aos que pela minha vida passaram deixando marca.
"- Sempre foste o meu herói, o meu cavaleiro andante, o meu príncipe num cavalo branco, e tu sabe-lo pois não poucas vezes to disse.

Talvez porque me pareceu que te regias por ideais que te davam um carácter excepcional, como a integridade, a honestidade e a confiança, valores pouco em voga nos dias que correm. Mas também pela paixão que punhas em tudo o que fazias por gosto e pela enorme capacidade que tinhas de dar asas aos sonhos, de tal forma que todos os abraçavam como sendo seus.

Agora parece-me que os teus valores estão invertidos, mas acredito que quando te olhas no espelho não gostas do que vês.

A conversa de 3ª feira abalou-me. Desde essa altura tenho tido dificuldade em dormir e tem sido impossível concentrar-me, o que significa que tenho tido imenso tempo para pensar e tirar conclusões.

A minha vida apenas fez sentido na altura em que estivemos juntos. Era feliz nesse momento porque tudo era partilhado, porque fazia parte de um empreendimento que era a construção do nosso futuro. Senti-me finalmente importante porque precisava de alguém na mesma proporção em que era necessária.

Mas tudo mudou, os meus sonhos, os nossos sonhos, caíram por terra no dia em que a nossa relação terminou. No entanto, sinto que ainda gostas de mim, pela minha parte ainda te amo e sonho ainda com o dia em que possamos recuperar o que perdemos.

Eu estou disposta a fazer o que for preciso para te ter de volta , mas para te ter de volta tem de ser por inteiro, disposto a construir um projecto de vida a dois, sem limitações, sem barreiras, de corpo e alma.

Dizias que estavas com imenso trabalho, isso não me incomoda, acho óptimo que produzas um bom trabalho, que este te seja reconhecido e que estejas por isso feliz. Apenas preciso do teu tempo livre, por pouco que seja, qualquer momento é precioso.

Já o facto de andares a ter relacionamentos esporádicos com mulheres de ocasião, não me parece que faça parte do trabalho, e para criarmos uma união quero-te mas só para mim, que eu não lido bem com a partilha.

O mais estranho é que por saber o quanto és especial sei que esta é a tua forma de pedires atenção, de procurares afecto, embora não acredite que alguém encontre afecto, atenção e amor a pular de cama em cama."