quinta-feira, 16 de julho de 2009

Highway to Hell

Ontem tive a mais assustadora experiência automobilista de sempre, com um carro nas mãos.
Estava calmamente a conduzir o automóvel do meu avô, um Cintroën Ax com 10 anos, com o intuito de deixar mãe, avô, Puska e Xani em Santa Cruz para umas merecidas semanas de férias.
A minha mãe conduz pouco e a medo, mas ainda assim gosta de saber que tem o carro à porta no caso de alguma emergência, assim lá foi a caravana cigana com sacos até ao tejadilho meter-se à estrada.
A logística já tinha sido complicada, o meu avô tinha estado com a minha mãe numa consulta oftalmologica no hospital e o puto tinha ido passar o dia com a outra avô. Assim sai do trabalho fui para casa esperar o meu gato que não fazia sentido levarmos os carros todos, rumámos à 2ª circular para enfrentar o transito frenético da cidade, chegámos a casa da sogra, metemos o puto na carrinha - aquele bichinho mais lindo, a mais nova aquisição familiar, a qual ainda não tinha tido coragem de conduzir - tomámos de volta o pulsar de Lisboa via 2ª circular em sentido contrário, enfiamos o avô e a Puska na carrinha, enquanto eu, a minha mãe e os sacos nos aconchegávamos no AX que já tanta estrada percorreu nas minhas mãos.
Mas a diferença entre um carro comprado em Dezembro do ano passado - a luz dos meus olhos em azul bébé que é o meu bichinho lindo, com direcção assistida, vidros eléctricos e fecho centralizado de portas, coisas a que nunca fui habituada antes do meu Matiz, coisa mais fofa - e um carro puxado à força de braços é enorme, e pensei que o cheiro estranho que o carro tinha na Avenida de Ceuta era por eu me ter desabituado à embraiagem dura do bicho. Enganei-me.
Estávamos na A8, pouco antes da estação de serviço de Loures quando acendeu a luz da temperatura, meti os 4 piscas para avisar o gato no carro atrás que alguma coisa se passava, meti-me na estação de serviço e pensei, "raios partam o velho (do avô, claro) que não viu a água".
Para quem conhece o meu avô, o chato, sabe que ele sempre que eu andava com o carro me dizia, toda a santa semana que precisava ver da água no radiador.
Estivemos quase meia hora à espera que o carro arrefecesse, que a água viesse acima, de encher e vazar o depósito, de aquecer e arrefecer o motor, e quando pensávamos que tudo estava resolvido lá seguimos viagem.
Eram 9 da noite, o avô, a mãe, o gato, a gata e o gatinho sem comerem. A hora de dormir do "piqueno" que se aproximava a grande velocidade, e lá tomámos o nosso lugar na auto estrada de novo, com rumo a Torres Vedras.
Na primeira subida o carro volta a ligar a luz, lá ponho os piscas, e tento encontrar uma berma para encostar, mas para variar a auto estrada está em obras, não há bermas, nem encostos, nem aquelas coisa de emergência, e muito menos parques de descanso, vejo uma zebra daquelas que indicam que há uma entrada paralela na auto estrada e encosto.
O que fazemos, como, quem , o quê. Lá voltei a pegar no carro com indicações para desliga-lo nas descidas - parece que faz circular o ar e arrefecer o motor, e também poupa nos consumos, se a moda pega...
Demorámos 1 hora e meia a chegar a Torres, andei a 40km/h na autoestrada - se por acaso alguém me viu, a 40 e de 4 piscas, peço desculpa pelo incomodo mas o bogas é que teve a culpa. O medo que o motor se ressentisse apoderou-se-me do corpo de tal forma que todos os músculos que existem estavam em tensão, o nó no estômago era de tal forma que eu achava que ia vomitar. Parei o carro no centro de Torres e fomos jantar, entrámos no restaurante eram 22.30, esganados de fome e o meu menino já com sono a esfregar os olhos de forma a afastar o João Pestana. Ainda assim comeu 2 batatas assadas e 2 bons pedaços de bacalhau e umas colheradas de arroz doce.
Depois de jantar o meu gato pegou no AX e passou-me o bicho novo para as mãos, estreei-me em grande, depois de uma cavalgada maluca, soube muito bem pegar num carrinho lindo, maravilhoso, com uma embraiagem leve, e com um volante que se vira ao toque de um dedo.

Chegámos a casa já passava da 1.30 da manhã, com um stress imenso, e sem saber como é que mãe e avô se iam desenrascar.

10 comentários:

Samuel Alabastro disse...

É como diz um amigo meu há carros e meios de transportes...

TM disse...

Acho que é melhor eles se ficarem pelas caminhadas... que são menos arriscadas e fazem bem à saúde...

Goldfish disse...

É a idade da reforma... chega a todos! Mas dói tanto - na carteira, bem entendido, que essa do amor ao carro passa quando ele deixa de ter amor à nossa carteira!

PAULO LONTRO disse...

perigoso é mesmo andar lento numa auto-estrada, os condutores vão distraídos e depois...
ainda bem que não houve problemas.

Gata2000 disse...

Samuel - Ora nem mais! Mas até os carros dão problemas, tal como os meios de transporte, por vezes é uma questão de sorte.
Ó meu pai teve um carro novinho, 0 km, que quando se foi a ver...estava todo queimadinho tadinho.

Gata2000 disse...

TM - Mas como sabes, a caminhada até à praia, para um homem de 80 anos e para outro de 2.5, era coisa para demorar dia e meio e muitas dores no corpo!

Gata2000 disse...

Goldfish - Vai lá dizer isso ao velho, que já nem carta tem para poder conduzir. Para ele aquele ainda está muito bom, para o uso que tem agora que eu já não preciso dele, estou em dizer que ele até tem razão!

Gata2000 disse...

Paulinho- nem imaginas o medinho! só deitava as mãos à cabeça e dizia à minha mãe: "eu estou a andar a 40 na auto estrada"

Bernardo Lupi disse...

Bem, já ouviste falar da política de abate para carros com mais de 10 anos? LOL!

Gata2000 disse...

Bernardo-Eu não só já ouvi, como já utilizei, ou como é que pensas que os nossos mais novos elementos familiares lá chegaram? LOL
Mas o meu avô tem 80 anos amigo, e acho que lhe custa mais dar uns milhares de euros por um carro novo que não vai utilizar, do que fazer um arranjo de cerca de 50.
Na realidade não o posso recriminar, ele não usa o carro e a minha mãe pouco uso lhe dá, e acresce a isso o facto de as poupanças de uma vida serem parcas.